Matéria publicada na revista EGW - número 106 - outubro de 2010
Por Marcelo Minutti

No mundo digital, as coisas estão acontecendo cada vez mais rápido. Uma empresa ou produto que está na parada de sucessos em um ano, no outro pode já ter sido esquecida. Isso acontece devido a grande facilidade em produzir, divulgar e distribuir produtos e serviços utilizando a internet. Nos últimos tempos, esse processo ganhou mais velocidade com a popularização em massa das mídias sociais. Para os produtos que são, na sua essência, digitais, como músicas, vídeos, fotos e games, os impactos nas cadeias produtiva e de consumo são ainda mais significativos.
No caso da indústria de jogos eletrônicos, o setor está sofrendo uma transformação drástica com a demanda cada vez maior por jogos sociais, que rodam sobre plataformas de redes sociais como Facebook e Orkut, e jogos para dispositivos móveis, que estão entre os aplicativos mais utilizados no iPhone, da Apple, e no Android, do Google.
O iPhone, que nasceu com a missão de transformar a experiência do consumidor na utilização de um telefone celular, entrou na briga do mercado de consoles portáteis e já abocanha uma parcela significativa desse mercado. Para se ter uma ideia, em 2008 o iPhone acumulou 5% da receita do setor e em 2009, após uma forte expansão, fechou o ano com 19%, de acordo com a Flurry Analytics. O mais impressionante é ver que isso aconteceu em menos de dois anos.
Mas qual o segredo por trás desse crescimento? A questão é simples, além da praticidade de se ter um smartphone com múltiplas funções, incluindo a de um console portátil, a Sony e a Nintendo não estão conseguindo competir com a legião de desenvolvedores de jogos independentes que invadiram a App Store. É claro que tem muita porcaria, mas como a prateleira virtual de jogos tende ao infinito, sempre aparece alguma coisa que atraia o consumidor de jogos. Esta é a beleza da cauda longa.
No mundo dos jogos que utilizam redes sociais como plataforma, a história não é diferente. Desde o momento que Mark Zuckerberg abriu a plataforma do Facebook para que qualquer um pudesse desenvolver aplicativos que funcionassem integrados a seus serviços que o mundo das redes sociais não é mais o mesmo. Com isso, a quantidade de jogos que utilizam o Facebook como plataforma também cresceu drasticamente e estão entre os aplicativos mais utilizados pelos usuários do Facebook.
Por exemplo, o jogo social online FarmVille, da desenvolvedora de jogos sociais Zynga que estima faturar US$ 450 milhões em 2010, já passou dos 80 milhões de jogadores. Nesse caso, a lógica que descrevi para o iPhone funciona de maneira similar, em que milhares de desenvolvedores de jogos independentes e de novas empresas lançam jogos diariamente e ameaçam o status quo dos gigantes da indústria.
Todas essas mudanças no mercado têm feito as grandes empresas do setor redefinirem suas estratégias. Nos últimos meses, houve alguns movimentos relevantes, como a aquisição das desenvolvedoras Playdom e Tapulous pela Disney e a compra da Playfish pela Eletronic Arts.
Agora é esperar para ver como o mercado irá se comportar nos próximos meses. Pois como já vivenciamos, o vencedor de hoje pode não ser o mesmo de amanhã.
Marcelo Minutti é estrategista e colunista do IG (colunistas.ig.com.br/tecnozilla)