Matéria publicada na revista EGW - número 116 - julho de 2011
Por Pedro Sirna

Apresento a vocês um dos jogos que mais conseguiram me transmitir a experiência de se jogar um bom e velho RPG de mesa: "The Wicher 2". Mas, antes, preciso fazer uma confissão, eu não joguei o primeiro "The Witcher". Essa é uma informação importante para quem também nunca jogou e pretende comprar o jogo. Falo isso pois achei a introdução muito confusa e com um enredo difícil de compreender.
A história começa com Geralt, um feiticeiro espadachim alquimista mutante caçador de monstros (ufa), em fuga após ser acusado de matar um rei que ele na verdade deveria estar protegendo. O problema é que para entendermos esse trecho, somos atirados no meio de uma guerra de proporções titânicas que surgem como flash backs do personagem. Sim, para piorar o cara ainda sofre de amnésia.
Logo, somos obrigados a enfrentar soldados fortemente armados sem que nem ao menos tenhamos uma mínima noção dos controles do jogo. E as janelas que aparecem para explicar os comandos contêm letras miúdas que desaparecem rapidamente. Ou seja, o que era para ser uma espécie de tutorial se torna uma experiencia tortuosa e estressante.
Acreditem, não será fácil começar "The Witcher 2", você vai morrer várias vezes. No entanto, depois que nos habituamos com os controles e passamos da maldita introdução, o jogo se torna extremamente gratificante. A aventura segue um ritmo envolvente e a jogabilidade ajuda a manter um ritmo de ação e suspense.

Chefões são extremamente difíceis e desafiadores
O sistema de combate é mais dinâmico do que na maioria dos RPGs, funcionando num estilo mais hack-and-slash, com uma espada de aço (steel sword) para combater humanos e a espada de prata (silver sword) para os monstros. Também é possível combinar ataques que variam de intensidade fraca a forte juntamente com uma série de poções e magias, indispensáveis quando enfrentamos vários inimigos ao mesmo tempo. Uma boa tática é sempre utilizar o escudo mágico (Quen) antes de saltar para o combate e desferir golpes rápidos alternados com golpes mais poderosos.
Graficamente, "The Witcher 2" não decepciona. Os cenários são bonitos e bem detalhados, com efeitos de luz e sombra muito próximos dos reais. As músicas são poderosas e orquestradas, fiéis ao tradicional estilo da fantasia medieval. Durante as batalhas, uma sinfonia ainda mais estrondosa traz um clima maior de ação e suspense ao jogo.
Mas a melhor coisa sobre "The Witcher 2" é o conceito de escolha/consequência - os diálogos que escolhemos durante as conversas com os NPCs têm influência direta na história, e dependendo da nossas ações, os eventos do jogo mudam drasticamente. Além disso, as escolhas muitas vezes nos colocam diante de questões éticas, obrigando o jogador a refletir sobre sua própria definição de moralidade. E lembrem-se disso, o jogo fará de tudo para que você responda pelos seus atos.

Algumas cenas heróticas também são românticas e comoventes
Agora, de todos os elementos, o que mais chama a atenção em "The Witcher 2" são as cenas de sexo e violência, sobretudo as cenas eróticas, as mais fortes que já vi em um videogame. Prova de maturidade do jogo ao incluir este elemento, o que torna a aventura a mais autêntica possível.
Para finalizar, posso dizer, com toda a segurança, que "The Witcher 2" é de longe um dos melhores RPGs dos últimos tempos. Apesar do começo confuso, o jogo agrada pelos belos gráficos, história envolvente e uma jogabilidade que favorece a ação. Mas principalmente, por tratar de temas complexos, adultos e polêmicos, obrigando o jogador a tomar decisões difíceis e lidar com consequências ainda mais dramáticas.
THE WITCHER 2: ASSASSINS OF KINGS
Plataforma: PC
Desenvolvedora: CD Projekt / Atari / Namco Bandai
Editora: CD Projekt Red Studio
Gênero: RPG / Ação
Lançamento: 17/05/2011
Sinopse: Geralt, um Witcher especialista em exterminar criaturas sobrenaturais, é acusado de assassinar o Rei de Temeria, Foltest. Durante a aventura, a linha narrativa do jogo desenvolve-se através de uma série de intrigas tanto a nível pessoal como político, muito além do assassinato do Rei.
Melhor: O conceito de escolha/consequência é levado ao extremo
Pior: A linha de dificuldade é desequilibrada
Nota: 8,5