Por GAMESFODA

Quando começaram a surgir os primeiros boatos dizendo que o PSVita seria como um Playstation 3 portátil, muita gente duvidou dando gargalhadas (eu inclusive). Até a Sony mostrar para os desaforados que dava pra ter um portátil (não tão portátil assim) com gráficos bem próximos do que um console de última geração faz, além de ter dois analógicos (finalmente), uma tela bem pomposa e todos os tipos de sensores de movimento e toque conhecidos pelo homem.
Nem os nintendistas mais agressivos podem negar que o PSVita é uma máquina bem interessante. Mas, porém, contudo, todavia, seria isso suficiente para fazer do sucessor do PSP algo mais do que só "aquele outro portátil"?
Se gráficos fossem sinal de sucesso, o Wii teria falido a Nintendo e estaríamos todos jogando o NeoGeo 4. "PORRA, MAS TU JÁ VIU UNCHARTED NAQUILO? O TROÇO É BONITO PRA KCT!", alguns podem dizer. É BONITO, eu sei. Assim como o PSP tinha gráficos anos à frente do DS e isso não ajudou em muita coisa. De qualquer jeito, o Vita não é necessariamente o portátil mais poderoso dessa geração.

Sei que toda a imprensa já bateu tanto nessa tecla que ela nem levanta mais, mas pelo bem do argumento eu tenho que falar também: o 3DS não é único que está concorrendo com o PSVita. Os iPhones, iPads e iParadas estão aí, atraindo cada vez mais desenvolvedores, principalmente aqueles que não têm paciência pra passar por toda a burocracia que a Sony/Nintendo impõe. E onde entram os gráficos nisso? Bom, a Apple tem uma vantagem que nem a Nintendo e nem a Sony possuem: o apoio incondicional dos fãs.
Sim, a Sony tem seu grupo de fãs e a Nintendo também, ambos chatos pra cacete, mas a Apple tem a fanbase que toda fabricante de consoles gostaria de ter. Todo ano a Apple lança um iPad e um iPhone atualizado, com hardware melhor e coisas que não funcionam nos modelos anteriores. Mesmo assim os fãs acham lindo, choram, rolam no chão e vão pras lojas comprar o modelo novo como se não houvesse amanhã (talvez haja um certo exagero aqui. Talvez não).
Se a Sony aparecer ano que vem com um Vita novo com gráficos melhores e jogos que não rodem no "PSVita 1000", cabeças vão rolar. Ou seja, a Apple pode muito bem aparecer esse ano ainda com um iPhone 5 que gere gráficos iguais ou superiores aos do Vita e tá tudo bem. Aliás, John Carmack (o tio do Doom que anda muito engajado nos seus joguinhos de iCoisas) já disse que "Em 2 anos o Vita seria ultrapassado pelos celulares". Detalhe: ele disse isso ano passado.

O que pode salvar o Vita da desgraça iminente então? A mesma coisa que salvou o 3DS: JOGOS. Com certeza o corte de preço ajudou, mas o que fez o portátil tridimensional da Nintendo começar a vender realmente bem foram Mario 3D Land e Mario Kart, dois jogos bons feitos com o 3DS em mente. Pro lançamento, o Vita tem Uncharted, que eu não joguei (e minha filha também não) e parece ser muito legal, mas não é o tipo de coisa ideal para um console portátil.
Acho que botar um Uncharted ou um God of War em uma tela tão pequena é um desperdício tão grande quanto assistir Senhor dos Anéis em um iPod. Essas franquias oferecem as tão faladas (e questionadas) "experiências cinematográficas". São ótimos jogos para serem curtidos em uma tela grande, com som surround e essa porra toda, não numa telinha de 5 polegadas em um saguão de aeroporto. E pelo visto a Sony concorda comigo, já que todos os Gods of War e GTAs do PSP ganharam versões para Playstation 2 e/ou 3.

O PSVita precisa de jogos idealizados exclusivamente para ele. Minhas melhores experiências no PSP foram com Patapon, Locoroco e Half-Minute Hero. Jogos divertidos, com premissas relativamente simples e que podem ser jogados em pequenas doses. O que não significa também que todos os jogos precisam ser em 2D simplório. Se o hardware está aí, não tem porque não usar. Metal Gear Solid: Peace Walker deu muito certo no PSP porque soube se adaptar à plataforma: as missões são mais curtas e existe no jogo uma espécie de "Mercenary Base Tycoon", ótimo pra se distrair naquela fila marota do seguro desemprego.
Nenhum dos jogos anunciados até então para o Vita pode fazer por ele o que Pokémon e Mario fizeram e fazem pelos portáteis da Nintendo. Devo soar como um nintendista catarrento falando isso, mas a trajetória do PSP comprova. O que chegou mais perto de virar um fenômeno foi Monster Hunter, mas só no Japão, e ele nem é mais exclusivo da Sony. E agora, José?

Minha dica pra Sony pra conseguir esse tão sonhado jogo é seguir um dos dois exemplos: o da Nintendo ou o da Apple. A Nintendo se importa tanto com seus portáteis que coloca suas melhores equipes pra trabalhar neles. Mario 3D Land, por exemplo, foi feito pela mesma equipe de Mario Galaxy, com as devidas adaptações (fases mais curtas, interface mais simples e direta etc), enquanto a Sony insiste em terceirizar seus Uncharteds e Killzones portáteis com equipes aleatórias.
O outro extremo é a Apple, que se importa tão pouco com jogos, que libera o seu sistema pra quem quiser fazer. São tantos jogos saindo por segundo que uma hora acaba aparecendo um bom. Os MINIs do PSP foram uma boa iniciativa nesse sentido, mas teve pouca divulgação e entrar nesse esquema não era tão simples quanto lançar um jogo pra iPhone.
A essa altura você já deve ter sacado o que fará toda a diferença para o futuro do PSVita: jogos que dêem personalidade a ele e o tornem único, insubstituível. Isso não vai acontecer enquanto a Sony tentar vender o seu peixe dizendo "jogue aqui, com gráficos um pouco piores, tudo aquilo que você já pode jogar no seu PS3 em uma TV de 42 polegadas". Fica aqui a torcida para que o potencial do primeiro portátil com nome de iogurte probiótico seja bem explorado e um dia todos possamos dizer sem nenhuma dúvida, em alto e bom som: "daora o Vita".
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